Uma análise crítica de marketing sobre a campanha da Pepsi com Kendall Jenner e os erros estratégicos que transformaram a ação em crise global.

A campanha da Pepsi com Kendall Jenner se tornou um dos exemplos mais citados de erro estratégico no marketing moderno.
Nem todo grande orçamento gera grande resultado. No marketing, alguns dos maiores aprendizados vêm justamente de campanhas que falharam de forma pública. Um dos casos mais emblemáticos dos últimos anos foi a campanha da Pepsi estrelada por Kendall Jenner, lançada em 2017.
A ideia parecia promissora: associar a marca a mensagens de união, juventude e impacto social. O resultado, porém, foi o oposto. A campanha foi retirada do ar em poucas horas e se tornou referência negativa em livros e análises de marketing.
Mais do que um erro criativo, esse caso revela falhas estratégicas profundas que ainda se repetem hoje.
Casos como esse ganharam ainda mais relevância porque o comportamento do consumidor mudou drasticamente nos últimos anos. As pessoas não consomem apenas produtos, mas também discursos, posicionamentos e atitudes das marcas.
Com redes sociais amplificando reações em tempo real, campanhas publicitárias deixaram de ser controladas apenas pela empresa. A interpretação do público passou a fazer parte do resultado final, para o bem ou para o mal.
O contexto da campanha e o objetivo da marca
A Pepsi tentou se posicionar como uma marca “conectada ao espírito do tempo”, abordando temas como manifestações sociais e engajamento jovem. O problema não foi falar de causas sociais — foi como isso foi feito.
Ao transformar um tema sério em um recurso estético para vender refrigerante, a marca gerou rejeição imediata. O público percebeu a ação como superficial e oportunista.
Aqui vale conectar com um ponto essencial do marketing digital moderno: o público atual identifica incoerência em segundos.
Falta de leitura do contexto social
O maior problema nesse tipo de abordagem não é a intenção declarada da marca, mas a desconexão entre discurso e histórico. Quando não existe coerência entre o que a empresa faz no dia a dia e o que comunica em uma campanha, o público percebe rapidamente.
Esse tipo de ruptura gera desconfiança, pois transforma pautas sérias em elementos decorativos de comunicação, sem compromisso real com mudança ou impacto.
Marketing não acontece no vácuo. A campanha ignorou completamente o momento histórico e emocional em que foi lançada. Movimentos sociais reais foram retratados de forma leve e quase caricata.
Segundo análise do The New York Times, a campanha falhou por banalizar pautas sérias em nome de engajamento comercial.
Lição:
Sem entendimento de contexto, a mensagem vira ruído — ou crise.
Celebridade maior que a mensagem
Kendall Jenner se tornou o centro da campanha, quando deveria ser apenas um meio. O público passou a discutir a presença da celebridade, não a ideia da marca.
Quando o influenciador se sobrepõe à mensagem, o marketing perde força e coerência.
Lição:
Celebridade amplifica — mas não corrige uma estratégia fraca.
Ausência de testes e validação prévia
Além do desgaste imediato, campanhas mal interpretadas geram efeitos de longo prazo. A marca passa a ser citada como exemplo negativo, o que influencia futuras análises, estudos acadêmicos e até decisões internas de outras empresas.
Esse tipo de exposição negativa não se apaga com a retirada da campanha do ar. Ela permanece como referência e passa a fazer parte da memória coletiva do mercado.
Campanhas desse porte deveriam passar por testes de percepção, leitura cultural e análise de risco. Tudo indica que a Pepsi aprovou a campanha internamente, mas não validou com públicos diversos.
Segundo análise do The Guardian, o erro não foi criativo, mas estratégico e estrutural.
Tentativa de resolver crise com silêncio inicial
Após a reação negativa, a marca demorou a responder. No marketing atual, o tempo de resposta é tão importante quanto a resposta em si.
Crises digitais exigem:
- posicionamento rápido
- reconhecimento do erro
- ajuste de rota público
Sem isso, o desgaste se multiplica.
O que esse caso ensina para quem trabalha com marketing hoje
Esse episódio deixou lições que seguem atuais:
- Nem toda causa combina com toda marca
- Marketing exige empatia real, não discurso pronto
- Visual bonito não sustenta estratégia vazia
- Coerência vale mais que alcance
Tudo isso conversa diretamente com design gráfico profissional, que precisa sustentar mensagem, não maquiar incoerência.
Campanhas bem-sucedidas que abordam temas sociais costumam partir de ações concretas antes da comunicação. Elas nascem de iniciativas reais, envolvem comunidades afetadas e só depois são transformadas em narrativa pública.
Quando a comunicação vem antes da ação, o risco de rejeição aumenta. Quando a ação precede a comunicação, a mensagem tende a ser mais legítima e bem recebida.
Conclusão: marketing não é sobre parecer relevante, é sobre ser coerente
A campanha da Pepsi entrou para a história não pelo impacto positivo, mas como um alerta permanente. Marketing não é apenas criatividade, nem apenas visibilidade. É leitura de contexto, responsabilidade e estratégia.
👉 Quando a marca tenta “surfar” uma pauta sem entender o mar, a onda vira contra ela.
Esse tipo de análise é fundamental para quem quer fazer marketing que constrói marca — e não crise.



